VERANTA
← Voltar para o blog

Sites

O que faz uma landing page converter (e o que derruba a sua)

7 min de leituraVeranta

“Landing page” é um daqueles termos que aparece em toda proposta de site e quase nunca vem traduzido. Antes de qualquer conselho sobre conversão, vale começar pelo começo: em português, é uma página de destino. É a página em que a pessoa cai depois de clicar em alguma coisa: um anúncio, um resultado de busca, o link da sua bio no Instagram.

A diferença para um site comum está no propósito. O site institucional apresenta a empresa: tem menu, “quem somos”, lista de serviços, contato, e a pessoa passeia por onde quiser. A landing page não oferece passeio. Ela tem um público, uma promessa e uma ação, e quem chega tem um caminho à frente e mais nenhum.

Quanto tempo você realmente tem

Jakob Nielsen, do Nielsen Norman Group, publicou em 2011 uma análise sobre quanto tempo as pessoas permanecem em uma página, apoiada em um levantamento da Microsoft Research que mediu mais de 205 mil páginas. A visita média dura um pouco menos de um minuto, e a maior parte dos abandonos se concentra nos primeiros 10 a 20 segundos. A conclusão dele é direta: para conquistar alguns minutos de atenção, você precisa deixar claro o seu valor dentro dos primeiros dez segundos.

O julgamento visual é ainda mais rápido. Um estudo publicado em 2006 na revista científica Behaviour & Information Technology mostrou que as pessoas formam uma opinião sobre a aparência de uma página em 50 milissegundos, e que essa opinião praticamente não muda quando elas ganham dez vezes mais tempo para olhar. O estudo é antigo e mede atratividade visual, não decisão de compra. Ainda assim, explica por que uma página desorganizada perde a pessoa antes do primeiro parágrafo ser lido.

Somando as duas coisas: você tem uma fração de segundo para não parecer amador e cerca de dez segundos para dizer o que faz, para quem e onde fica.

A anatomia de uma página que traz cliente

Não existe fórmula, mas existe uma lista de perguntas que a página precisa responder, mais ou menos na ordem em que a pessoa as faz na cabeça. Quando uma delas fica sem resposta, a conversa trava ali.

  1. O que é isso e para quem é. A primeira frase visível deve dizer o que você resolve, com as palavras que o seu cliente usa. “Excelência em soluções odontológicas” não diz nada. “Implante dentário em São João del-Rei, com avaliação no mesmo dia” diz tudo.
  2. Por que acreditar em você. Fotos do trabalho real, tempo de atuação, registro profissional, avaliações com nome. Sem isso, o que está escrito é só promessa.
  3. O que acontece se eu chamar. Muita gente não pede orçamento porque não sabe no que está se metendo. Descrever os passos (você manda mensagem, respondemos em tantas horas, marcamos uma conversa de vinte minutos) tira o receio.
  4. Quanto custa, ou pelo menos uma referência. Nem todo negócio pode publicar preço, mas quase todo pode dar um sinal: valor a partir de, sessão avulsa, orçamento sem compromisso.
  5. O que fazer agora. Uma ação, um botão, repetido conforme a página desce. Não quatro caminhos competindo entre si.
  6. A resposta para a última dúvida. As objeções que você ouve no WhatsApp todo dia são as mesmas que travam a pessoa na página, e precisam estar respondidas por escrito antes do botão.

O que derruba a sua

Agora a parte do diagnóstico. Os problemas abaixo são os que mais aparecem em páginas que existem, estão bonitas e mesmo assim não trazem ninguém.

1. Ela demora a carregar

Em 2020 o Google publicou um estudo conduzido pela consultoria Deloitte e pela agência 55, com 37 marcas europeias e americanas e mais de 30 milhões de sessões de navegação no celular. Uma melhora de apenas 0,1 segundo no carregamento aumentou as conversões do varejo em 8,4% e o valor médio do pedido em 9,2%. Um décimo de segundo.

A agência americana Portent, que analisou cerca de 100 milhões de visualizações de página em 20 sites em 2022, chegou a uma ordem de grandeza parecida: páginas que carregam em 1 segundo convertem várias vezes mais que as que levam 5 segundos. Convém dizer que tanto o Google quanto a Portent têm interesse comercial no assunto, e o número exato varia de estudo para estudo. O que não varia é a direção da flecha.

2. Ela nunca foi vista em um celular de verdade

A pesquisa TIC Domicílios 2024, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, ouviu mais de 21 mil pessoas e encontrou que 60% dos usuários de internet no país acessam exclusivamente pelo celular. Nas classes D e E, esse número sobe para 86%. Entre as mulheres, é 66%.

Ou seja: a versão que importa não é a que você aprovou no monitor grande, com internet boa e tempo sobrando. É a que carrega num aparelho de três anos, com sinal de rua, na mão de alguém que está em pé na fila do banco.

3. Ela fala de você, não de quem chegou

Página que abre com a fundação da empresa, a foto da fachada e a palavra “tradição” está gastando os dez segundos mais caros que tem. Quem clicou está com um problema na cabeça, não com curiosidade sobre a sua trajetória. A sua história cabe na página. Só não no começo dela.

4. Ela não prova nada

Uma pesquisa do Reclame AQUI com cerca de 2.300 consumidores, feita em fevereiro de 2025, apontou que mais de 8 em cada 10 brasileiros leem avaliações antes de adquirir um produto ou serviço, e que cerca de 72% deixariam de comprar de uma empresa que não demonstra preocupação com a opinião dos clientes. O Reclame AQUI vende serviço de reputação, então cabe ler o número com essa ressalva. Mas o comportamento descrito é o que qualquer um de nós faz antes de escolher um dentista novo.

Prova não precisa ser sofisticada. Três avaliações reais com nome completo, uma foto do trabalho entregue e o seu registro profissional já mudam a página de patamar. Depoimento genérico e sem nome não conta, porque ninguém acredita nele.

Uma ressalva profissional: algumas categorias têm regra de conselho que proíbe depoimento de cliente ou paciente, como é o caso da psicologia. Nesses casos a prova vem de outro lugar: formação, tempo de atuação, clareza sobre como o atendimento funciona.

5. O formulário pede demais

A HubSpot analisou mais de 40 mil páginas de clientes e chegou a uma conclusão menos óbvia do que parece: acrescentar mais um campo simples de texto pesa pouco. O que derruba mesmo são as caixas de texto longo (aquele “conte-nos sobre o seu projeto”) e os menus de seleção com muitas opções. São eles que fazem a pessoa desistir no meio do preenchimento.

Circulam por aí tabelas ligando número de campos a porcentagem exata de conversão. Não consegui rastrear nenhuma delas até um estudo com metodologia publicada, então não vou repeti-las. A regra que sobrevive é simples: peça o mínimo necessário para dar o primeiro retorno e deixe o resto para a conversa.

6. Não está claro o que acontece depois do clique

Botão escrito “Enviar” não diz nada. “Quero avaliar meu caso” ou “Ver horários disponíveis” diz o que a pessoa ganha ao clicar. E, depois do envio, alguém precisa responder: uma página impecável ligada a um WhatsApp que ninguém abre até segunda-feira não tem problema de conversão. Tem problema de atendimento, e nenhum redesenho resolve isso.

Que número esperar (e por que não se comparar com ele)

A referência mais citada do mercado é o Conversion Benchmark Report da Unbounce, com dados de 2024, feito sobre mais de 41 mil landing pages, 464 milhões de visitas e 57 milhões de conversões. A mediana geral é de 6,6%: de cada 100 pessoas que chegam, cerca de 7 fazem a ação pedida.

Duas ressalvas importam mais que o número em si. A primeira: é mediana, não média. A própria Unbounce explica que escolheu a mediana porque casos extremos distorcem a média, o que significa que metade das páginas medidas fica abaixo de 6,6%. A segunda: são dados internacionais, e a Unbounce vende software de landing page. É o estudo de quem fabrica a ferramenta, feito sobre a base de clientes dela.

Por setor, a mesma base mostra uma variação grande:

  • Eventos e entretenimento: 12,3% (o maior de todos)
  • Bem-estar: 8,2%
  • Jurídico: 6,3%
  • Serviços comerciais e profissionais: 6,1%
  • Tratamento médico: 5,3%
  • Odontologia: 4,3%
  • Software por assinatura: 3,8% (o menor de todos)

Repare na distância: odontologia converte a menos de metade de um evento. Comparar a sua página com “o mercado”, sem olhar o seu setor, leva à conclusão errada.

A pergunta útil não é se a sua página converte mais que o mercado. É se ela converte mais neste mês do que convertia no mês passado.

Quando landing page não é a sua prioridade

Vale dizer com todas as letras, porque quem vende site raramente diz: landing page não cria demanda. Ela aproveita melhor a demanda que já existe.

Se a agenda já está fechada por três semanas, se o seu gargalo é entregar e não vender, uma página nova não resolve o seu problema. Provavelmente cria um. O investimento certo ali é em capacidade de atendimento, em preço ou em processo.

E se quase ninguém chega na sua página, o problema também pode não ser ela. Página excelente com dez visitas por mês continua trazendo zero cliente, e isso é falta de divulgação, não de conversão. A landing page rende quando já existe gente interessada chegando, por busca, anúncio ou indicação, e parte dela se perde no caminho entre o interesse e o contato. É esse vazamento que ela fecha.

Por onde começar amanhã de manhã

Se você já tem uma página no ar, esta é a ordem que costuma dar mais resultado com menos trabalho. Nenhum destes seis passos exige contratar ninguém.

  1. Faça o teste do celular emprestado. É gratuito e responde mais do que qualquer relatório.
  2. Meça a velocidade dela no celular. O PageSpeed Insights, ferramenta gratuita do Google, dá o resultado em um minuto.
  3. Leia a primeira tela em voz alta. Se ela não diz o que você faz, para quem e onde fica, reescreva só isso e publique. É a alteração mais barata e costuma ser a que mais muda o resultado.
  4. Coloque três provas reais antes do primeiro botão: avaliações com nome, foto de trabalho entregue, registro profissional.
  5. Corte do formulário todo campo que dá para perguntar na conversa. Comece pelas caixas de texto longo.
  6. Anote quantos contatos chegaram neste mês. Sem esse número, você vai discutir a sua página por opinião pelos próximos dois anos.

Faça na ordem, meça de novo no fim do mês e você vai saber, com número na mão, se o que falta é uma página melhor ou mais gente chegando nela. São problemas diferentes, e confundir os dois é o jeito mais rápido de gastar dinheiro no lugar errado.

Perguntas frequentes

O que é uma landing page, em palavras simples?

É uma página de destino: aquela em que a pessoa cai depois de clicar em um anúncio, em um resultado de busca ou no link da bio. Diferente de um site institucional, que apresenta a empresa inteira, ela é feita para um público e uma ação só, normalmente sem menu e sem caminhos alternativos.

Qual é uma boa taxa de conversão para uma landing page?

A referência mais usada é o Conversion Benchmark Report da Unbounce, com dados de 2024: a mediana geral é 6,6%, com variação grande por setor (4,3% em odontologia, 6,3% no jurídico, 8,2% em bem-estar). São dados internacionais, publicados por uma empresa que vende software de landing page, e por serem mediana, metade das páginas medidas fica abaixo desse valor.

Preciso de uma landing page se já tenho um site?

Depende do objetivo. O site institucional apresenta a empresa e atende quem já procura você pelo nome. A landing page serve quando existe um serviço específico, uma campanha ou um público específico que precisa de resposta direta, sem passear pelo site. Não são substitutos, são funções diferentes.

Minha página não traz cliente. O problema é ela?

Nem sempre. Antes de reescrever, veja quantas pessoas chegaram nela no mês. Página com poucas visitas não tem problema de conversão, tem problema de divulgação. Se dezenas ou centenas de pessoas chegam e quase ninguém entra em contato, aí sim o problema está no que a página comunica.

Landing page precisa ter formulário?

Não obrigatoriamente. Em muitos negócios locais, um botão que abre o WhatsApp com a mensagem já escrita converte melhor que um formulário, porque a pessoa continua a conversa no aplicativo que já usa todo dia. O formulário faz sentido quando você precisa registrar informações antes de conseguir responder.

Quer conversar sobre o seu caso?

O diagnóstico é uma conversa sem compromisso. A gente entende o seu negócio antes de propor qualquer coisa e diz com franqueza se vale a pena ou não.

Falar com a Veranta

Leia também

O que dá para automatizar num negócio pequeno (e o que não vale a pena)

Cobrança, agendamento, nota, estoque e relatório: o que realmente compensa tirar da mão, o que é dinheiro jogado fora e o teste de uma semana que mostra por onde começar.

Construtor de site ou site próprio: o que você ganha e o que perde

O construtor não é a opção lenta, e os dados provam isso. O custo real está em outro lugar, e quase ninguém verifica antes de assinar.