Depois de “quanto custa”, essa é a segunda pergunta de toda conversa sobre site. E ela tem uma resposta desconfortável: construir o site é a parte pequena e previsível do prazo. O que transforma um projeto de três semanas em um projeto de três meses quase nunca está no computador de quem programa.
Abaixo estão os prazos praticados de verdade, o que acontece dentro de cada semana e as decisões que fazem o cronograma esticar.
Os prazos praticados hoje
Uma pesquisa da GoodFirms com mais de 100 empresas de desenvolvimento web, publicada em 2024, colocou o site de pequena empresa na faixa de 1 a 12 semanas, a loja virtual entre 4 e 16 semanas e as aplicações web entre 16 e 30 semanas. O intervalo é largo porque “site” virou o mesmo nome para coisas muito diferentes. As faixas divulgadas por agências brasileiras são parecidas. Vamos por tipo.
Landing page: 1 a 3 semanas
Uma página única, com um objetivo só, como receber contato pelo WhatsApp ou vender uma consulta. Agências brasileiras publicam prazos de 5 a 15 dias úteis para esse formato. É o projeto mais rápido porque tem pouca coisa para decidir: uma estrutura, um texto, um caminho.
Existe quem entregue a mesma página em dois dias. É possível, e às vezes é suficiente. O que fica de fora nesse ritmo é a pesquisa sobre quem vai ler, o texto escrito para o seu público e o teste em celular de verdade.
Site institucional: 3 a 6 semanas
Cinco a dez páginas: quem somos, serviços, contato, às vezes blog. As faixas publicadas por agências no Brasil vão de 15 a 45 dias úteis, conforme a quantidade de páginas e quem escreve os textos.
O que estica esse prazo raramente é a programação. É a quantidade de páginas que precisam de conteúdo. Dez páginas significam dez textos, e alguém tem de escrever cada um deles.
Loja virtual: 6 a 12 semanas
Aqui entram cadastro de produto, foto, cálculo de frete, forma de pagamento e política de troca. A GoodFirms aponta de 4 a 16 semanas, e agências brasileiras trabalham com 30 a 120 dias úteis conforme o tamanho do catálogo.
Um detalhe que quase ninguém coloca na conta: cadastrar trezentos produtos com foto, descrição, peso e medida é um trabalho de semanas por si só, e costuma sobrar para o dono do negócio.
Sistema com login e regras próprias: meses
Área de cliente, agendamento, painel de controle, ligação com o sistema que a empresa já usa. Isso não é site, é software, e o prazo é calculado caso a caso. As faixas divulgadas começam em 60 dias úteis e passam de um ano nos projetos maiores.
Onde o tempo vai dentro do projeto
Um projeto de site tem seis etapas, e escrever o código costuma ser apenas uma delas. Estas são as faixas que agências brasileiras publicam para cada fase:
- Briefing e planejamento: 3 a 7 dias. Entender o negócio, quem compra e o que a página precisa fazer.
- Conteúdo e textos: 5 a 15 dias. A etapa que mais atrasa, e a única que depende diretamente de você.
- Design: 5 a 15 dias. Desenhar as telas e aprovar o visual antes de construir.
- Construção: 7 a 45 dias. Transformar o desenho em site funcionando.
- Revisão e testes: 3 a 7 dias. Celular, tablet, formulário, velocidade, erro de digitação.
- Publicação: 1 a 3 dias. Colocar no ar e apontar o endereço para o lugar certo.
Repare que quatro dessas seis etapas param se você não responder. Briefing, conteúdo, aprovação do design e revisão final são todos de mão dupla. Nenhum profissional consegue avançar sozinho por essas partes.
Por que o atraso quase nunca começa em quem programa
Isso não é uma esquisitice do mercado de sites. É como projetos se comportam em geral, em qualquer área.
O Project Management Institute pergunta todo ano a profissionais de projeto no mundo inteiro o que aconteceu com os projetos que eles tocaram. Na edição de 2018 da pesquisa Pulse of the Profession, 48% dos projetos não foram entregues no prazo e 52% sofreram mudança de escopo não controlada, ou seja, o combinado mudou no meio do caminho. O desperdício médio foi de 9,9% de cada dólar investido. No recorte do Brasil, 12,2%, um dos piores da lista.
Mudança de escopo é o nome técnico de uma frase que todo mundo já disse: “já que a gente está mexendo, dá para colocar também…”. Cada “já que” tem um preço em dias.
Em projetos de tecnologia maiores, o padrão se repete com força. Um estudo de Bent Flyvbjerg e Alexander Budzier publicado na Harvard Business Review em 2011, com 1.471 projetos de tecnologia, encontrou estouro médio de 27% no custo. Em um de cada seis projetos, porém, o estouro foi de 200% no custo e de quase 70% no prazo. São projetos grandes e o dado é internacional, mas a lição serve para o seu site: o risco não está no projeto médio, está no projeto que sai do controle. E o que faz um projeto sair do controle é quase sempre uma mudança de rumo no meio, não um erro de quem constrói.
As três coisas que mais esticam o prazo
1. Conteúdo que não chega
Agências brasileiras são unânimes ao apontar a entrega de textos, fotos e logotipo como o principal ponto de parada do cronograma. Não é desorganização do cliente. É que escrever sobre o próprio negócio é mais difícil do que parece, e fotografar a clínica exige encontrar um dia em que ela esteja arrumada e vazia ao mesmo tempo.
É trabalho de verdade. Ele só costuma não estar na conta de ninguém na hora de combinar o prazo.
2. Aprovação que passa por muita gente
Se o design precisa da sua opinião, da opinião da sua sócia e da opinião do seu marido, cada rodada de aprovação deixa de levar um dia e passa a levar uma semana. Duas rodadas assim já consomem metade do prazo de uma landing page.
A saída não é aprovar sem olhar. É definir antes quem tem a palavra final e reunir todo mundo na mesma conversa, em vez de colher opiniões uma a uma.
3. O “já que a gente está mexendo”
Um blog que não estava previsto. Uma área de agendamento que apareceu na terceira semana. Uma segunda versão do site em inglês. Cada pedido novo é legítimo, e cada um empurra a data de entrega.
Não é errado mudar de ideia no meio do projeto. É errado mudar de ideia e esperar que a data continue a mesma.
Quando o prazo curto demais é um alerta
Site em vinte e quatro horas existe e funciona, desde que você saiba exatamente o que está comprando: um modelo pronto com o seu logotipo e o seu texto dentro. Para quem precisa apenas existir na internet com um endereço próprio, resolve, e não há vergonha nenhuma nisso.
O alerta acende quando alguém promete, no mesmo prazo curto, um site desenhado só para você, com textos escritos para o seu público e preparado para ser encontrado no Google. Essas três coisas levam dias de trabalho humano. Se o prazo não comporta o trabalho, o trabalho não vai acontecer, e você descobre isso depois de pagar.
Prazo curto demais e prazo aberto demais são o mesmo problema com o sinal trocado: nos dois casos, ninguém calculou o trabalho de verdade.
Como encurtar o prazo sem baixar a qualidade
Existe folga real no cronograma, e quase toda ela fica do seu lado da mesa.
- Junte o conteúdo antes de contratar. Textos, fotos e lista de serviços prontos economizam de uma a três semanas.
- Defina quem aprova. Uma pessoa com a palavra final acelera mais o projeto do que qualquer ferramenta.
- Aceite lançar menor. Um site de quatro páginas no ar em três semanas rende mais do que um de doze páginas que estreia em três meses. O blog pode entrar depois.
- Combine as rodadas de alteração por escrito. Saber que existem duas rodadas muda a forma de revisar: em vez de mandar cinco pedidos soltos por semana, você junta tudo e manda de uma vez.
- Peça cronograma com datas, não com adjetivos. “Rápido” não é prazo. “Design aprovado até 12 de setembro” é.
O prazo que ninguém coloca na conta
Na pesquisa TIC Empresas 2024, do Cetic.br, feita com 4.453 empresas brasileiras, 53% delas tinham site. Nas redes sociais, 89%. A diferença entre os dois números não se explica por preço nem por dificuldade técnica: abrir um perfil leva dez minutos e um site exige decidir coisas.
Na prática, o intervalo entre “preciso de um site” e “vou começar o site” costuma ser bem maior do que o projeto inteiro. Seis semanas de construção parecem muito tempo até você lembrar há quantos meses esse item está na sua lista.
Por onde começar hoje
Antes de pedir qualquer orçamento, faça uma coisa só: abra uma pasta no celular ou no computador e coloque três itens dentro dela. O seu logotipo no melhor arquivo que você tiver. Dez fotos que você teria orgulho de mostrar para um cliente novo. E a lista dos serviços que você quer vender, na ordem de importância.
Se você montar essa pasta em uma semana, o seu projeto de site tem prazo realista e você já sabe conversar com qualquer profissional de igual para igual. Se ela travar logo no primeiro item, você acabou de descobrir exatamente onde o cronograma ia atrasar, e ganhou tempo para resolver isso antes de o relógio começar a contar.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para fazer um site?
Depende do tipo. Uma landing page leva de 1 a 3 semanas. Um site institucional de cinco a dez páginas leva de 3 a 6 semanas. Uma loja virtual leva de 6 a 12 semanas. Sistemas com login e regras próprias levam meses e são calculados caso a caso. A pesquisa da GoodFirms com mais de 100 empresas de desenvolvimento, de 2024, coloca o site de pequena empresa entre 1 e 12 semanas.
É possível fazer um site em uma semana?
Sim, quando é uma página única e o conteúdo já está pronto. Textos, fotos e logotipo entregues no primeiro dia mudam completamente o cronograma. O que não cabe em uma semana é design desenhado do zero somado a textos escritos por outra pessoa e a várias rodadas de aprovação.
O que mais atrasa a entrega de um site?
A entrega de conteúdo pelo cliente e as rodadas de aprovação, segundo o que agências brasileiras relatam de forma consistente. Some a isso a mudança de escopo no meio do projeto: na pesquisa Pulse of the Profession 2018 do Project Management Institute, 52% dos projetos sofreram mudança de escopo não controlada e 48% não foram entregues no prazo.
Dá para lançar o site e completar depois?
Dá, e costuma ser a melhor decisão. Colocar no ar a versão com as páginas essenciais e acrescentar blog, portfólio ou catálogo nas semanas seguintes reduz o prazo inicial e permite corrigir o site com base em quem já está acessando, em vez de adivinhar antes.
Depois de pronto, quanto tempo até o site aparecer no Google?
São dois prazos diferentes. Aparecer nas buscas pelo nome da própria empresa costuma acontecer poucos dias após a publicação, desde que o site esteja cadastrado no Google Search Console. Já disputar buscas concorridas é outro trabalho, contínuo, que leva meses. O prazo de entrega do site termina no lançamento; o prazo de resultado começa nele.